O que é a deficiência de testosterona
O hipogonadismo masculino é a condição em que o organismo produz quantidades insuficientes de testosterona, acompanhada de sinais e sintomas compatíveis. O diagnóstico exige as duas coisas: sintomas e níveis baixos confirmados em exames repetidos.
A testosterona tende a reduzir discretamente com a idade, mas o envelhecimento por si só não significa deficiência hormonal. Obesidade, diabetes, apneia do sono, uso de certos medicamentos e doenças crônicas também influenciam os níveis do hormônio.
Sintomas que podem justificar investigação
Alguns sinais são mais específicos; outros são inespecíficos e podem ter diversas causas. Nenhum deles, isoladamente, confirma o diagnóstico.
- Redução do desejo sexual e da frequência de ereções espontâneas
- Disfunção erétil
- Perda de pelos corporais, redução do volume testicular, ginecomastia
- Baixa densidade óssea ou fraturas por pequenos traumas
- Cansaço, redução de energia, alterações de humor e de concentração (sintomas inespecíficos)
- Perda de massa muscular e aumento da gordura corporal
Como é feito o diagnóstico
A dosagem de testosterona total deve ser realizada pela manhã, em jejum, e repetida para confirmação, já que os valores variam ao longo do dia e podem cair temporariamente em situações de doença aguda. Em alguns casos, calcula-se a testosterona livre.
Confirmada a deficiência, dosagens de LH e FSH ajudam a definir se a origem é testicular ou central (hipófise/hipotálamo), o que pode exigir investigação complementar, como prolactina e exames de imagem.
Como funciona a investigação clínica
A avaliação de saúde hormonal masculina começa por uma consulta detalhada, com escuta da história clínica, dos sintomas, do uso de medicamentos, dos antecedentes pessoais e familiares e dos hábitos de vida. O exame físico completa essa etapa inicial.
Exames laboratoriais ou de imagem são solicitados somente quando contribuem para a decisão clínica. Nenhum exame isolado substitui a interpretação médica do conjunto de informações.
- Anamnese completa e revisão de exames anteriores
- Exame físico e aferição de medidas clínicas
- Solicitação de exames conforme a indicação individual
- Discussão das opções, com riscos, benefícios e limitações
- Plano de acompanhamento com reavaliações periódicas
Quando a reposição pode — ou não — ser indicada
A reposição de testosterona é considerada para homens com sintomas compatíveis e deficiência confirmada laboratorialmente, após discussão de riscos e benefícios. Em homens com causas reversíveis, como obesidade ou uso de medicamentos, tratar a causa pode ser a primeira estratégia.
A reposição não é indicada para homens com níveis normais, com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo. A Resolução CFM nº 2.333/2023 veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com essas finalidades.
- Contraindicações e situações de cautela: câncer de próstata ou de mama, desejo de fertilidade em curto prazo (a testosterona exógena reduz a produção de espermatozoides), hematócrito elevado, apneia do sono grave não tratada, insuficiência cardíaca descompensada
Riscos e acompanhamento
O tratamento exige monitorização de hematócrito, PSA e exame prostático conforme a idade, perfil lipídico e sintomas. Os principais efeitos adversos incluem aumento de glóbulos vermelhos, acne, retenção de líquidos e supressão da fertilidade.
Perguntas frequentes
Referências
- Bhasin S, et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715-1744.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023.